A linguagem utilizada na internet: novas perspectivas para a educação.

Introdução

A Internet (a super-rede mundial de computadores) surge como uma das estrelas principais da revolução informacional, a partir dos anos 90. Sendo assim, significativas modificações foram introduzidas na forma de viver dos indivíduos, fluindo uma cultura digital pela qual todos se sentem fascinados ou pressionados a dela participar, para não se tornarem obsoletos, já que, como disse Lévy (1999, p.157), os saberes surgem e são renovados rapidamente.

Nesse sentido, com a chegada da Internet, tornou-se possível aos indivíduos o acesso a um imenso e crescente banco de informações e a comunicação com pessoas do mundo inteiro, por meio do microcomputador em rede. É válido ressaltar também o aparecimento de uma nova linguagem digital própria, sobretudo entre os jovens, para expressar sentimentos e situações de vida, tornando-se comuns termos como realidade virtual, ciberespaço, hipermídia, correio eletrônico, hipertexto. Assim sendo, neste artigo analisarei os impactos desta linguagem no ler / escrever, trazendo os novos paradigmas causados pelas internetês, no que diz respeito à sua interferência na Língua Portuguesa, mostrando as diversas inquietações existentes em torno do uso desta nova maneira de escrita e leitura, focalizando que a mesma não deve ser tratada como uma desvalorização da língua mas, como expressão de novas realidades comunicacionais resultantes do processo de evolução social.

1. Novas maneiras de ler / escrever

A Internet é caracterizada por uma gama de informações textuais que podem ser compartilhadas entre as pessoas, através do processo de interatividade, que permite a troca e a construção do conhecimento. Ela é uma rede mundial, que correlaciona o mundo inteiro, sugerindo nos a idéia de que vivemos em uma aldeia global.

Dessa forma,

é perceptível o fato de que as relações interpessoais e lingüísticas entre os sujeitos estão se modificando, na medida em que interagem em rede, mundialmente, com o outro, mediados pelo computador. O elemento técnico já é constitutivo da "nova identidade humana", se é que podemos denominar de "nova" as relações de mobilidade, troca, diálogo, escrita, que se estabelecem entre os indivíduos interligados pelas tecnologias, em especial, a telemática digital. (CAIADO, 2005. p.41).

Essas novas relações demandam uma linguagem específica para a sua compreensão, corroborando uma peculiaridade de leitura e escrita discriminada pelas normas tradicionais, devido a autonomia que é dado ao leitor para vincular discursos diversos e contraditórios, transformando-o em leitor-autor, além de poder interferir na forma gráfica das palavras do seu texto. Costa captura exemplarmente esta crença:

Na internet, espaço de novas tecnologias digitais de leitura e escrita, leitor e escritor encontram-se diante de novos processos de produção e compreensão textuais. São formas de leitura e escrita com características próprias e específicas. Leitor e autor confundem-se nos (hiper) textos, produzidos / construídos sem fronteiras nítidas, misturando formas, processos e funções da oralidade, da leitura e da escrita. Há mutações do / no ler e escrever que escapam, muitas vezes, à sucessividade canônica da ferramentas e dos suportes de escrita tradicionais: na Internet, o autor / escritor pode intervir na forma tipográfico-digital do seu texto e há uma aceleração geral da escrita. (COSTA, 2006).

Portanto, encontramos nesse novo espaço "gêneros digitais que estabelecem novas relações entre os sujeitos e a linguagem" (CAIADO, 2005. p.42). Aparecem nos weblogs, fotologs, vídeo-conferência, e-mail, chat, lista de discussão, que apresentam maneiras variadas de escrever as palavras, principalmente pelos adolescentes. Diante disso, "a linguagem digital, com suas características específicas, situa-se no interior das relações sociais mantidas pelos sujeitos configurando-se como prática social". (idem, p. 43)

2. Internetês: como lidar com isso?

A Internet nos fornece múltiplos recursos comunicacionais, que nos apresenta uma nova linguagem. Esta linguagem foi sendo construída a partir de palavras abreviadas ou reduzidas, e por vezes incorretas, motivo pelo qual muitos questionamentos têm surgido quanto a sua influência nas normas ortográficas da Língua Portuguesa.

Diante disso,

podemos afirmar que o meio digital traz novos entendimentos sobre a escrita, especificamente, dos adolescentes. Jovens, ávidos por interação, no canal virtual, escrevem com liberdade e percebem que esta escrita pode ser aceita e entendida, pode gerar compreensão na esfera digital. A relação da dialogicidade do sentido não é rompida e eles se comunicam, desfazendo a crença imposta, principalmente pelas instituições de ensino, de que, apenas, anotação escrita "correta" das palavras, conforme as regras, pode gerar sentido, interação, comunicação. (CAIADO, 2005, p.42).

Dessa forma, podemos perceber que os internautas se utilizam dessa linguagem como produto do meio, na tentativa de adequar-se ao tempo que é fornecido para a comunicação. Não se constitui como um erro intencional. Na verdade, são novas formas de comunicação decorrentes do novo modelo de sociedade que estamos inseridos, a qual distingue-se pela velocidade, heterogeneidade, não linearidade e, multiplicidade. Neste contexto "a alteração na grafia das palavras seria uma transgressão intencional das regras ortográficas vigentes na Língua Portuguesa, objetivando adequar linguagem ao meio, economizar tempo de escrita real, criar um dialeto identificador da cibertribo". (idem, p.43).

Vê-se portanto, que esta nova forma de relacionar-se com a escrita abre brechas para preocupações de muitos, no que se refere às mudanças no processo educacional dos indivíduos. Essas mudanças devem ocorrer, sobretudo na observação de diversas formas de nos relacionarmos com a escrita, decorrentes das variações da língua ao acompanhar as transformações ocorridas na sociedade, em que suas funções tradicionais vão sendo transferidas para novas maneiras de organização e constrição dos conhecimentos. Neste sentido, torna-se relevante a percepção destas novas linguagens como "elementos da constituição do mundo enquanto mundo humano e em particular da criação, por cada sociedade, do que, para ela, é real – racional" (CASTORIADIS, 1987, p.246 apud BONILLA, 2005, p.34).

Referências

BONILLA, Maria Helena Silveira. Interfaceamento de linguagens, tecnoclogias e racionalidades. Presente! Revista de Educação, Salvador: CEAP, ano 13, n.2, p.33-39, jun. 2005.
CAIADO, Roberta Varginha Ramos. A Internet e a escrita escolar: mitos e indícios de influência. Presente! Revista de Educação, Salvador: CEAP, ano 13, n.4, p.40-46, dez. 2005.
COSTA, Sérgio Roberto. Hipertextos ciberespaciais: mutações do / no ler – escrever. Disponível em: http://www.scielo.br. Acesso em: 01 de julho. 2006.
LÉVY, Pierre. A nova relação com o saber. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.

Hoje a aula foi fantástica!Houve seminários sobre Internet e Educação e Impressos e Educação.Eu faço parte da equipe do primeiro tema e inicialmente eu fiz sérias criticas ao tipo de seminário que Bonila pediu.Achei que estava querendo algo fora da realidade da Universidade e realmente,a proposta dela è fugir desse modelo autoritário de Educação imposto por muitos anos, no qual predomina os poucos que sabem e os muitos que reproduzem.Esta aula promoveu o debate, a interatividade, adiscussão, o conflito de idéias e portanto a produção de conhecimento.À equipe de Impressos parabenizo pela dedicada e competente apresentação pois a mesma levantou questões que dizem respeito ao cotidiano educacional, nos mostrando a importância de não sermos maniqueistas com os tipos de tecnologias, mas trazendo a relevância de todas,independente do surgimento de outras.A questão central que permeou toda a discussão foi quanto ao papel do professor frente a essas mudanças.
Explorando o moodle,li um artigo sobre Politicas Públicas no Brasil e percebi que ainda é preciso caminhar muito,no sentido de promover a inserção do nosso país nas NTCs.A possibilidades que estão sendo dadas para o acesso não basta e são mínimas frente às necesidades que o mundo globalizado exige.Clicar teclas somente não nos levará à produzir conhecimento.Após este momento,discutimos sobre os conceitos relacionados ao ciberespaço e posteriormente nos reunimos para organizar os seminários.
A aula foi excelente.Percebi que esta metodologia que vem sendo utilizada está agradando a todos,visto que permitiu a pesquisa,o exercício da autonomia e consequentemente a produção de conhecimento sob um processo de dialética.Está muito bom!
Hoje tivemos uma aula que nos levou buscar alguns conceitos que diz respeito à cibercultura.Gostei muito,pois várias questões e dúvidas foram esclarecidas nos permtindo avançar mais no assunto.Eu fiquei para esclarecer,na próxima aula,multivocalidade: um conceito que faz parte do ciberespaço e que possibilita a produção de informações via online, coletivamente.
BEIJOS!
No dia 22/05/1981 houve uma exposição sobre produções de páginas na internet e videos.Referindo-se,as orientações que tivemos,se deram de forma rápida e muitas dúvidas acabaram ficando,principalmente no que diz respeito à produção de vídeos.Sentir a necessidade de um tempo maior para as orientações.

Eu não compareci na aula do dia 15/05/2006,devido a paralização do ônibus.

Esta aula me favoreceu saber um pouco mais sobre Blogs.É mais um subsídio educativo já que permite,dentre outras coisas, a interação,a complementariedade,a difusão e o confronto das informações.Dessa forma,o conhecimento se controi,disseminando-se a medida que o processo de ensino e aprendizagem se faz presente possibilitando a prática educativa.
A aula de hoje,nos levou ao ínicio da organização dos seminários que serão apresentados no final do semestre e da III Semana de Software Livre que aconteceré em novembro.Me interessei pelo tema:Internet e Educação,devido as inúmeras questões que o permeiam.Pretendo explorar o tema com afinco,buscando as possibilidades e limitações do uso da internet como recurso pedagógico.
A aula de hoje foi fantástica!César nos possibilitou discutir sobre o contexto
que envolve a inserção no mundo das NOVAS TEC. Trouxe questões necessárias
para analizarmos certas situações,no que se refere ao processo de inclusão
e exclusão digital com mais criticidade.
BOM DIA,GENTE!
Ainda possuo muitas inquietações,no que se refere às novas tecnologias.Hoje vou sair com menos dùvidas que antes,já que foi esclarecido sobre software livre.Vou em busca de mais orientação sobre. Para mim a utilização desse recurso nos possibilita mais autonomia,na medida que o usuário pode acessar e executar alterações de acordo com as suas necessidades.Vale ressaltar,ainda a possibilidade de expansão do conhecimento na distribuicão de informações para toda a comunidade.
Olá,espero ter a oportunidade de interagir bastante apartir do blog ,apesar de não ter acesso ao computador fora da universidade.Estou disposta a receber e mandar mensagens,discutir assuntos e etc.
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